Diabetes e Obesidade – O papel da Cirurgia Bariátrica

22/09/2020

O tratamento da obesidade é cercado de estigmas e preconceitos por parte daqueles que não compreendem essa doença. Muitas pessoas (inclusive médicos) estão sempre prontos para criticar o uso de medicamentos ou da cirurgia para perda de peso, como se fossem atalhos ou soluções simples para quem não quer “fechar a boca”.

A obesidade e o diabetes tipo 2 são doenças intimamente relacionadas. Estima-se que oitenta e cinco por cento dos pacientes com diabetes tipo 2 têm excesso de peso pelo critério do índice de massa corpórea. Os que não se enquadram nesse grupo normalmente apresentam acúmulo de gordura na região abdominal. Hoje sabemos que este acúmulo de gordura, em especial no fígado e no pâncreas, leva aos mecanismos desencadeadores do diabetes: a resistência à insulina pelo fígado, e a disfunção na produção da insulina pelas células beta do pâncreas.

Há muitos estudos em pessoas com obesidade grau 2 e 3 submetidos à cirurgia bariátrica demonstrando remissão do diabetes (ou pelo menos a redução do número de medicações para controle) em um número significativo de pacientes. Esses resultados fizeram a comunidade científica questionar o dogma de que o diabetes é uma doença progressiva e irreversível. Afinal, se conseguirmos reduzir a gordura nos órgãos abdominais, não seria possível reverter os mecanismos que levam à hiperglicemia (elevação do açúcar no sangue)? A resposta é: sim, principalmente em pacientes com doença mais recente e menos severa. Nos pacientes com doença mais grave, conseguimos atingir melhor controle ou diminuir o número de comprimidos e dose de insulina. É possível observar o impacto da cirurgia no controle glicêmico já nos primeiros dias do pós-operatório.

Além da redução da glicemia, ocorre melhora da hipertensão e dos níveis de colesterol nos pacientes submetidos à cirurgia, quando comparamos com o tratamento medicamentoso em pacientes obesos. Todas essas doenças fazem parte da síndrome metabólica, uma condição que aumenta o risco de doenças cardíacas e derrame. Resultados de estudos clínicos também revelaram redução nas complicações crônicas do diabetes: doença renal, neuropatia e menos eventos cardíacos em pacientes que fizeram a cirurgia.

Embora não possamos falar em “cura”, pois os pacientes podem voltar a apresentar a doença com o passar do tempo, a remissão do diabetes é uma realidade. Os pacientes serão sempre monitorizados para detectar o retorno das alterações do “açúcar” no sangue. E mesmo que voltem a precisar de medicamentos, o legado dos anos sem diabetes confere redução das temidas complicações da doença. A cirurgia bariátrica é uma ferramenta valiosa, e não faz sentido pensar que é um caminho mais fácil, visto que o paciente precisa seguir uma alimentação saudável e mais restritiva, praticar atividade física e fazer reposição de vitaminas durante toda a vida.

Mas muito cuidado: isso não quer dizer que a cirurgia bariátrica é a solução para todos os pacientes com obesidade e diabetes. Grande parte dos pacientes conseguem excelentes resultados com acompanhamento nutricional, atividade física e medicamentos, de forma individualizada. Além disso, a pessoa deve ser avaliado integralmente com relação às contraindicações e à sua capacidade de seguir o tratamento pós-cirúrgico. Uma equipe capacitada e ética saberá selecionar as pessoas que mais se beneficiarão do procedimento. 

 

Artigo produzido por Dra Julia Maccarini - CRM 20119 - RQE 17283

 

 

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